social_media_02Tecnologia e Internet: uso inapropriado e desvio de metas

Em tempos de hipermodernidade em que a inovação tecnológica é uma constância, o conhecimento também se atualiza e difunde rapidamente contribuindo para os avanços sociais. Com tantas novidades principalmente na área tecnológica, para algumas pessoas os estímulos proporcionados pelos novos equipamentos estão ficando cada vez mais atraentes, se comparados à vida real, tais como determinados aplicativos nos smartphones, tablets e computadores, games com gráficos em alta qualidade e realidade 3D, e a facilidade da interação com pessoas por meio das redes sociais.

Com o uso demasiado da tecnologia e, principalmente da internet, estamos nos acostumando, ainda mais, com o comportamento imediatista e hedonista, voltados primordialmente para os nossos desejos e vontades, numa tentativa de serem saciados ao tocar no touch pad. Bom, isso não acontece na vida real. As vontades e desejos não se concretizam em cliques e de modo instantâneo. Ao contrário, tudo na vida se dá por processos que podem levar mais ou menos tempo e, por “incrível que pareça”, em alguns casos podem não ser concretizados e realizados.

Sabemos das vantagens e benefícios que a tecnologia nos proporciona diariamente mas, diante disto, cabe a reflexão: de que modo tenho utilizado as tecnologias que possuo ao meu dispor?

O uso inapropriado – e isso quer dizer, um uso que possui consequências físicas, emocionais, mentais e sociais ao indivíduo – pode ser impeditivo para realização das metas pessoais e profissionais de curto, médio e longo prazos. Dentre as consequências da utilização inapropriada estão também às implicações no âmbito do desenvolvimento individual e profissional como: a dificuldade de atenção, comodismo, baixa tolerância a frustrações, diminuição da produtividade e criatividade, e redução da motivação para a vida real.

Estudos têm demonstrado que o uso de internet favorece o ato de anestesiar sentimentos e sensações ruins do nosso cotidiano, sendo um processo mental. Este é um ponto para ficarmos atentos, como a determinadas fugas emocionais, que mais vale serem solucionadas do que postergadas. Também é interessante ressaltar sobre o processo que acontece com o usuário de internet ao começar a trocar as experiências ao seu redor e ficar online horas a fio. Nesse momento começa entrar em jogo a qualidade de vida e, consequentemente, o desvio para a realização das metas individuais.

É muito comum em um encontro entre colegas e amigos, uma ou mais pessoas estarem em profunda interação com seu smartphone ou tablet. Não somente num encontro deste tipo, mas também quando sozinho, imerso por horas na interação tecnológica. Em alguns casos isso faz parte da vivência de uma falsa realidade promovida por estímulos recompensadores como, por exemplo, as “curtidas” em nossa linha do tempo ou nos highscores de um jogo. Não devemos confundir o uso recreativo com o uso prejudicial.

Esse hábito, quando inapropriado, prejudica nossas atuações e escolhas ao longo da vida, seja pela procrastinação ou por crer que estamos constantemente em um ambiente protegido e confortável – condição que a navegação na internet proporciona (ir a vários lugares, interagir com diversas pessoas à distância e permanecer numa falsa noção de conforto e proteção físico-emocional) – fato diferente da vida real.

Você já parou para refletir que as horas utilizadas demasiadamente nas redes sociais, navegando na internet ou jogando, sem estar com escopo construtivo para a sua vida, são acumuladas em horas de ‘desvios’ frente aos seus planejamentos e metas individuais e profissionais? Se ainda não refletiu, reflita e experimente utilizar 1/3 desta hora demasiada para algo que você quer realizar em sua vida pessoal e/ou profissional.

Nesse sentido é valido colocar em pauta a intencionalidade no modo de usar a internet e a tecnologia, que estamos estabelecendo para nós. Uma reflexão autêntica sobre a sua intencionalidade na utilização da tecnologia, independente de qual seja o equipamento/aplicativo, é importante para um uso mais saudável e conciliatório com outras atividades promotoras de saúde integral (física, emocional, mental e social) ao ser humano.

São indiscutíveis as vantagens da tecnologia, mas é extremamente discutível o modo de usá-la em nosso tempo de hipermodernidade. Até que ponto nossa falta de concentração nas atividades, nosso comodismo, e principalmente, nossos desvios daquelas metas tão almejadas em momentos de intensa motivação íntima e auto-realização, estão refreadas a esse novo costume do uso tecnológico?

 

Sugestões de leitura:
http://www.dependenciadeinternet.com.br/

João Lucas Xavier Schüler é graduado em Psicologia pelo Complexo de Ensino Superior de Santa Catarina, possui formação em Orientação Profissional e de Carreira pelo INSTITUTO DO SER – Orientação Profissional e de Carreira, de Florianópolis, e Pós-Graduando em Terapia Cognitivo-Comportamental pelo Instituto WP – Centro de Estudo e Pesquisa em Psicoterapia Cognitivo-Comportamental. Atua como Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental e Orientador Profissional e de Carreira no INSTITUTO DO SER – Orientação Profissional e de Carreira e como Psicólogo Orientador Profissional no Pró Universidade – Inclusão para a vida.

3 Comments

  1. Elise 17 de novembro de 2015 at 12:26

    Gostei btte da reflexão, muito pertinente e importante. Abraço e parabéns pelo trabalho! Elise

  2. Lélis 18 de novembro de 2015 at 8:12

    Ótima análise do nosso tempo. Parabéns. Lélis

  3. Frabci 19 de novembro de 2015 at 17:31

    Ótimo texto!

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