Education family INSTSERQuando seu(sua) filho(a) está escolhendo uma profissão, o que fazer?

Algumas décadas atrás era comum ver os filhos seguindo a profissão dos pais. Hoje isso também acontece. Há filhos que seguem a profissão dos pais ou dos familiares (avós, tios, irmãos) e/ou escolhem profissões que os pais desejariam ter feito escolhido e não puderam. Ou ainda, escolhem aquelas profissões percebidas pelos pais com o mercado de trabalho, status e o retorno financeiro mais favorável, por exemplo. O que podemos perceber nesse fato? Os projetos, os desejos, as expectativas dos pais em relação ao filho(a) e seu futuro. Os filhos realizando os sonhos dos pais.

Os pais constroem projetos de futuro para os seus filhos e investem nesse sonho. Poucos dias ouvi uma mãe me dizendo: “eu não pude estudar, pois precisei sair cedo de casa para trabalhar, então quando tive meus filhos fiz tudo o que estava ao meu alcance, até passei fome para que eles pudessem estudar, ter um diploma e um dia ocupar a cadeira que um filho de juiz também ocupa.” Também ouvi de um filho: “vou ser advogado, pois na minha família quase todos seguiram essa profissão e meus pais esperam isso de mim e que eu possa assumir o escritório da família”. Outro relato de uma jovem: “queria seguir a área das artes, mas meus pais acham que é uma profissão que não dá dinheiro, por isso penso em escolher medicina, inclusive esse era o sonho do meu pai.” Nesses relatos podemos evidenciar a influencia dos pais na escolha do(a) filho(a).

A família exerce um papel importante no processo de escolha do jovem. Os pais também ficam ansiosos e angustiados nesse momento, e sua intervenção pode ajudar ou dificultar a tomada de decisão do(a) filho(a) na escolha da profissão. O valor que as profissões assumem no grupo familiar (por status, reconhecimento social, retorno financeiro e outros) e a percepção positiva ou negativa da profissão exercida pelos pais e sua relação com o trabalho, influenciam na visão e identificação ou não do(a) filho(a) com as profissões familiares e as escolhas que fará ao longo da trajetória profissional.

Outras vezes, os pais ou outros membros da família podem impor a este jovem que siga determinada profissão, deixando-o pressionado para seguir algo, que talvez ele não queira. Por outro lado, a total “ausência” dos pais no processo de escolha do(a) filho(a), no intuito de não “querer influenciar” também não contribui nesse momento. É importante que os pais conversem com os filhos e exponham o que esperam, mas que isso não seja de maneira impositiva, com uma visão estereotipada e preconceituosa das profissões.

Pensando na importância da família no processo de escolha profissional e tomada de decisão do jovem, seguem algumas orientações para que você pai, mãe ou outro familiar possa auxiliá-lo(a) a escolher uma profissão de maneira mais segura.

► Converse com seu(sua) filho(a) sobre a escolha profissional que está pretendendo fazer e como está se sentindo nesse momento.
► Procure auxiliá-lo(a) a refletir acerca das habilidades, interesses, gostos e preferências pessoais e profissionais que apresenta, ou seja, a conhecer-se mais.
► Evite comparações. Reforce suas habilidades e potencialidades e ajude em suas dificuldades. Ele(a) precisa sentir-se confiante e seguro para tomar as decisões.
► Não imponha, mas também não fique ausente. Fale do seu processo de escolha profissional, de suas experiências, suas facilidades, suas dificuldades, suas dúvidas durante sua trajetória profissional.
► Converse também sobre as profissões, o mercado de trabalho, suas expectativas, mas principalmente sobre as expectativas, gostos e sonhos de seu(sua) filho(a).
► Auxilie-o(a) a buscar mais informações sobre as profissões. Solicite aos colegas de trabalho, amigos e rede de contatos que se disponham a falar sobre sua profissão, se for necessário.
► Pressionar nesse momento não favorece uma escolha clara, consciente e segura. É preciso de diálogo constante, compreensão e apoio.
► Preste atenção em seus argumentos e colocações ao conversar com o seu(sua) filho(a). Reflita você também a respeito de suas concepções sobre o que entende por trabalho, mundo das profissões no momento atual, mercado de trabalho, campos de atuação, novas profissões/ocupações. Verá que não é somente seu(sua) filho(a) que possui dúvidas, então esclareçam-nas. A sua opinião, por mais que seu(sua) filho(a) não demonstre, é muito importante para ele(a). Ela é sim considerada.
► Mantenha sempre o diálogo aberto e se mostre disponível a ajudar.
► Lembre-se: a escolha é do seu(sua) filho(a). Ele(a) é quem vai exercer a profissão no futuro. É importante que ele(a) sinta-se feliz e realizado(a) e possa contar com seu apoio.
► Caso, ainda assim, as dificuldades se fizerem presentes e se sentir impotente em ajudar o(a) seu(sua) filho(a), não fique se culpando ou se torturando, busque ajuda com um orientador profissional e/ou psicólogo.

 

Cláudia Basso é psicóloga e orientadora profissional, doutora e mestre em psicologia pela UFSC. Possui Formação em Orientação Profissional pelo INSTITUTO DO SER – Orientação Profissional e de Carreira, de Florianópolis. Atua como docente em cursos de pós-graduação latu sensu e Formação de Professores – PROFORBAS (IFSC), graduação (FAPAG), técnico e FIC (SENAC e IFSC) em Florianópolis. Atende jovens e adultos em Orientação para a primeira escolha, Re-orientação profissional e Orientação de carreira a estudantes universitários e profissionais. Desenvolve consultoria, palestras, workshops, mini-cursos e projetos em Orientação Profissional e de Carreira.

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