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O trabalho é um elemento constitutivo da nossa vida, não só pela geração de renda e por  garantir nossa sobrevivência e de nossos familiares, mas pelo fato de ser indispensável à nossa formação identitária. Profissão e percursos profissionais nos trazem significações subjetivas, mesmo diante das transformações que o mercado de trabalho vem sofrendo na transição entre os séculos XX e XXI, marcando continuidades e rupturas nesse cenário laboral.

Olhando para o momento presente, quando ocorre mais uma crise econômica, a realidade brasileira vive um panorama que infelizmente traz consigo um crescimento exponencial da taxa de desemprego. Juntamente com ele os índices do desemprego juvenil, historicamente sempre superior aos demais grupos, foi uma das que mais cresceu e, assim, se transforma num grande “fantasma” para toda uma geração de jovens.

E porque trago esse tema, não otimista, para nossa conversa? Por que ter clara consciência dessas situações, em minha opinião, nos permite pensar e agir com uma visão mais crítica, mais criativa e direcionada aos projetos futuros.

Assim, acredito ser  relevante distinguir que ter um emprego é uma das formas de ter uma atuação profissional, é a atividade laboral regida pelas leis do trabalho, o chamado trabalho formal. Contudo, o trabalho em si é uma atividade muito mais complexa.

Por isto, saber qual o seu efetivo sentido em nossa vida é essencial, pois a partir deste conhecimento pode-se, saindo dos modos de ação automática, pensar em iniciar algo novo, empreender. E pensar em empreender requer também refletir sobre habilidades pessoais, autoconhecer-se, tema tratado, inclusive, na coluna “Dialogando sobre”, pelo Instituto do Ser, de autoria da Dra. Marilu Diez Lisboa, editado nas redes sociais, ressaltando as necessidades na/da gestão da própria vida.

E quando falo em empreendedorismo, penso em soluções que envolvem muito mais um poder criativo, dentre as minhas habilidades profissionais e, não só necessariamente em “abrir um negócio”,  acaba incluindo a necessidade de dispor de uma quantia financeira nem sempre disponível.

Professores como Leny Sato e Peter Spink, (respectivamente da Universidade de São Paulo – USP- e Fundação Getulio Vargas em São Paulo –FGV-) vêm se dedicando e iniciando pesquisas que caminham nesta direção do conhecimento, buscando, por meio da chamada nanoeconomia, a compreensão sobre como pequenas atividades profissionais  sob novas formas de economia têm se desenvolvido. Trabalhadores, que em maioria são excluídos do mercado formal, buscam “soluções” e superam os desafios diários com “pequenas” atividades profissionais.

Assim, sabendo que não existem formulas mágicas, as juventudes que buscam iniciar seus percursos profissionais irão necessitar dispor de energias, e antes de tudo de uma visão realista sobre as novas formas de trabalho, as inventando e reinventando, apropriando-se do que sejam os significando de suas ações e os sentidos do trabalho para si, para fazer-se diante de tantas incertezas. Cabe lembrar que a vida cotidiana decorre por meio da relação dialética entre o repetitivo e o transformador. Em síntese, para uma transformação necessária e substantiva, os jovens trabalhadores terão que se pensar enquanto agentes transformadores no e do cotidiano.

 

Regina Célia Borges é psicóloga e orientadora profissional, doutoranda e mestre em psicologia pela UFSC. Possui Formação em Orientação Profissional pelo INSTITUTO DO SER – Orientação Profissional e de Carreira, de Florianópolis, Especialização em Administração de Recursos Humanos pela Universidade São Judas Tadeu/SP e Especialização em Administração Hospitalar pela Fundação Getúlio Vargas/SP. Atua em Orientação e Re-reorientação profissional de jovens e adultos, preparação para vestibulares e concursos, Consultoria e Coaching organizacional e do trabalho; Supervisão, Palestras e Workshops Empresarias e Educacionais.

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