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O dinheiro e as relações afetivas familiares: seus significados e crenças

Continuando nossa conversa sobre as questões relacionadas às finanças pessoais, neste texto abordaremos a sua relação dentro da família, suas aprendizagens, crenças e afetos.

Já ressaltamos em textos anteriores[1] que o dinheiro assume diferentes significados para as pessoas e é fundamental em nossas vidas, uma vez que vivemos numa sociedade capitalista, sendo assim, importante saber administrá-lo. Ao colocarmos o tema dinheiro e família juntos, dois aspectos emergem: primeiro o dinheiro como sustento e bem-estar e segundo as relações de afeto por filhos, pais, irmãos, casal, etc. Aspectos que precisam ser tratados com cuidado e administrados da melhor maneira possível.

Em algum momento, você se sentiu preocupado com a possibilidade de não ter uma renda satisfatória para você e para a sua família no futuro? Alguma vez o dinheiro (ou a sua falta) foi motivo de discussões dentro da família? Você já disse “sim” aos filhos, esposa(o), netos, para comprar coisas que, no fundo, não queria ou não era necessário?

Estudos mostram que as questões financeiras e a maneira como se lida com elas refletem na qualidade das relações familiares, interferindo nos sentimentos, nos afetos, na saúde e no equilíbrio emocional de todos os familiares envolvidos. Em situações de dificuldades financeiras, muitas vezes, ao invés de apoio e proteção, as pessoas passam a discutir, a brigar e a alimentar sentimentos dolorosos, que podem, inclusive, levar ao rompimento das relações. (SANTOS; CARMO, 2012).

No contexto familiar, além do pagamento de bens materiais e serviços, o dinheiro (ou sua retirada) acaba sendo utilizado em aspectos subjetivos, como tempo, afeição, agradecimento, culpa, vingança, poder, status, justiça, reconhecimento, premiação, punição, amor, exploração, ajuda, entre outros. Por exemplo, os pais que ficam pouco tempo com os filhos em virtude do trabalho e, por sentirem-se culpados tentam compensar pagando uma viagem de férias ou dando aos filhos todos os bens materiais que eles pedem; os filhos que desobedecem aos pais recebem como castigo a retirada da mesada; o marido que presenteia a esposa como forma de gratidão e amor; numa briga entre o casal, com raiva a esposa gasta além do orçamento; compra de bens materiais, pelo casal e/ou filhos, que necessariamente não precisam, para se sentir pertencente a um grupo, mostrar um status; o filho que realizou todas as tarefas e recebeu como premiação um presente. Essas atitudes refletem os vários significados ocultos do dinheiro nas relações familiares, que tanto podem afastar como aproximar, tanto podem possibilitar o descanso, o lazer, a diversão, a saúde, a segurança e a proteção como também a tensão, o sofrimento, a hostilidade e o ódio.

Como lidamos e nos relacionamos com o dinheiro, muitas vezes, são reflexos das aprendizagens e crenças que herdamos da nossa família e relações sociais. Agora pare e reflita: Como os seus pais/familiares lidavam com o dinheiro? Em que você é parecido e diferente, financeiramente, com a sua família, no que se refere a gerar, poupar e gastar o dinheiro? Que valores você aprendeu com a sua família sobre o dinheiro? Hoje, que valores e exemplos você está transmitindo ou pretende transmitir aos seus filhos?

Uma pessoa que veio de uma família humilde, que se sacrificou muito a vida toda para conseguir as coisas; ou se ela veio de uma família com mais recursos financeiros e não precisou se esforçar muito para alcançar ou conseguir o que queria. Ou se essa pessoa sempre ouviu na família dizer que: “rico é infeliz ou enriqueceu por que roubou”, “trabalho honesto não enriquece”, “muito dinheiro só atrai desgraças e inveja”, internalizou diferentes significados e crenças que acabam influenciando em seus comportamentos ao lidar com as finanças. Portanto, os valores herdados em relação ao dinheiro, podem ser saudáveis ou traumáticos e confusos.

Por isso, Educação Financeira começa em casa. Os pais são a referência para os filhos em tudo, inclusive financeiramente. Uma criança de três anos compreende que existem produtos baratos e caros, mas não consegue diferenciá-los. O processo de aprendizagem do valor (noção) do dinheiro acontece na medida em que ela vai crescendo. A partir dos dez anos esta compreensão fica mais clara e hábil. (D’AQUINO, 2008). Mas para isso é importante que esse tema seja discutido na família, de maneira natural, sem culpa e cobranças. Então vamos nos educar financeiramente e educar nossos descendentes.

Para auxiliar pais, filhos, profissionais, jovens, adultos e aposentados em sua relação com as finanças pessoais, o Instituto do Ser – Orientação Profissional e de Carreira está realizando o Programa de Orientação Financeira (PROFIN), na modalidade individual, grupal e empresarial. Para mais informações sobre o PROFIN acesse o site: www.instserop.com.br ou pelo facebook.

[1] “Orientação Financeira: iniciando reflexões sobre as finanças pessoais“, escrito por Cláudia Basso. Texto disponível em: http://instserop.com.br/orientacao-financeira/

“Dinheiro: pra que dinheiro? Orientação Financeira na Aposentadoria”, escrito por Dulce Helena Penna Soares. Texto disponível em: http://instserop.com.br/pra-que-dinheiro/

Referências

D’AQUINO, Cássia. Educação Financeira: como educar seus filhos. Rio de Janeiro. Elsevier, 2008.
TOLEDO, Eliane. A herança – Uma lição de inteligência financeira. São Paulo: Editora Alaúde, 2013.
SANTOS, Angélica Rodrigues; CARMO, Rogério Olegário. Família, afeto e finanças: como colocar cada vez mais dinheiro e amor em seu lar. São Paulo: Editora Gente, 2012.

Cláudia Basso é psicóloga e orientadora profissional, doutora e mestre em psicologia pela UFSC. Possui Formação em Orientação Profissional pelo INSTITUTO DO SER – Orientação Profissional e de Carreira, de Florianópolis. Atua como docente em cursos de pós-graduação latu sensu na Faculdade Dom Bosco (UNIESC), na graduação (FAPAG), em cursos tecnológicos, técnicos e FIC (SENAC Saúde e Beleza) em Florianópolis. Atende jovens e adultos em Orientação para a primeira escolha, Re-orientação profissional, Orientação de Carreira a estudantes universitários e profissionais e Orientação Financeira. Desenvolve consultoria, palestras, workshops, mini-cursos e projetos em Orientação Profissional e de Carreira

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