autoconhecimento-x-relacionamentosNos diferentes âmbitos da existência humana e, especialmente, no que tange ao fazer profissional, frente ao atual contexto do mundo do trabalho cabe a reflexão e a discussão sobre a importância do autoconhecimento na gestão da própria vida, incluindo-se aí a relação sujeito/trabalho. Proporcionalmente aos progressos do conhecimento e do preparo tecnológico, nossa sociedade muito pouco avançou no que diz respeito à apropriação dos seres humanos da sua existência, bem como no que se refere à sua casa, seu lócus de existência, o planeta terra. Isto quer dizer que os recursos pessoais não foram e não são trabalhados para o que venha a satisfazer e engrandecer a espécie humana mas, ao contrário, parecem sê-lo para que o humano se desgaste com aquilo que não diga respeito ao que lhe faz sentido.

Essas afirmativas podem parecer contundentes numa primeira leitura. No entanto, ao nos debruçarmos sobre o que se nos apresenta o atual contexto mundial, percebemos que a vida humana toma cada vez mais uma dimensão desproporcional aos avanços tecnológicos, tendo como parte deles o incremento dos meios de comunicação, e aos progressos científicos. Observa-se que a essência do ser humano como promotor desses avanços fica em um plano bem inferior às suas criações e feitos. Parece controversa essa constatação, na medida em que tudo que é criado se justifica pela manutenção, multiplicação e qualidade para a vida humana, sendo que o cuidado consigo, com sua própria identidade, com sua construção e processos daí advindos, bem como com seu eu interior e seus relacionamentos, são jogados para um plano muito menos importante, melhor dizendo, em muitos casos de nenhuma relevância.

Uma análise cuidadosa dessa realidade precisa ser feita, bastando para tanto observarmos como estão se encaminhando as relações familiares, sociais e profissionais, cabendo salientar que estas advém dos processos intrapsíquicos, ou intra pessoais, e se refletem nos interpessoais, numa complementação permanente entre subjetividade e objetivação de relações.

Nas relações de trabalho, tema que rege a temática abraçada pelo INSTITUTO DO SER,  se constata uma falha, ou falta, ou desprezo pelo que Kurt Levin (1890 – 1947), psicólogo polonês radicado nos Estados Unidos,  estudioso das dinâmicas grupais, chama de estabelecimento de relações autênticas, aquelas que permitem um clima de confiança e o consequente funcionamento grupal realizador. Experiências foram realizadas e mostraram que o conteúdo (produto) do trabalho, que inclui a competência advinda do conhecimento (competência técnica), se equipara, em resultados, ao que vem do processo advindo das relações dos grupos de trabalho  (baseadas na competência interpessoal). A primeira pode ser alta por parte de todos os membros do grupo e, mesmo assim, os resultados do trabalho podem se situar aquém das expectativas, uma vez que as interpessoais estejam falhas. Este pesquisador nos prova essa realidade por meio de experiências com engenheiros de alto desempenho, no Massachuttes Institute of Technology (MIT), na interação pessoal em equipes de trabalho.

Cabe refletirmos, diante dos usuais modus operandi das organizações de trabalho, se e como estão sendo trabalhados os processos relacionais, como se dá a gestão em sua prática na interação humana, qual a cultura organizacional e o clima que se estabelece a partir dela no que diz respeito às relações de trabalho entre os membros das equipes e entre as mesmas.

Em palestras e processos de treinamento realizados pela autora, em órgãos públicos de âmbito federal e estadual, esta temática tem sido abordada, propiciando o desenvolvimento de equipes de trabalho e de pessoas na construção de suas carreiras.

 

DRA. MARILU DIEZ LISBOA – Psicóloga. CRP 12/9111.

Mestre e doutora em Psicologia Social pela PUCSP. Pós-doutora pela UNESP-Franca. Pós-doutora pelo PPGE-UFSC. Orientadora profissional e de carreira (OPC). Sócia fundadora e diretora do INTITUTO DO SER – Orientação Profissional e de Carreira –  Florianópolis – SC. www.instserop.com.br. Coordenadora e professora do Curso de Formação em Orientação Profissional – A facilitação da escolha. Presidente fundadora da Associação Brasileira de Orientação Profissional – ABOP (gestão 1993-1995), vice-presidente (gestão 2001-2003) e atual conselheira. Organizadora e coautora de livros e artigos científicos na área de Orientação Profissional e Educação. Consultora, palestrante, ministrante de workshops, mini-cursos e projetos em gestão de equipes de trabalho e desenvolvimento gerencial em órgãos públicos federais e estaduais, dentre eles: Companhia Estadual de Energia Elétrica – RS; Secretaria da Receita Federal – MF, pela Escola de Administração Fazendária – ESAF; Ministério do Trabalho e Emprego – MTE; Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS; Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE; Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares – IPEN; Banco Central – BACEN. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/3575892423555195.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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