Aprendendo a aprender: hábito de estudar

 

aprendendo a aprender Gabriel-01Plante um pensamento, colha uma ação; plante uma ação, colha um hábito; plante um hábito, colha um caráter; plante um caráter, colha um destino.
Stephen Covey

Quando falamos em educação no contexto escolar, estamos falando basicamente do processo de ensino e aprendizagem estimulado por profissionais da área da educação, e também sobre o ato mesmo de estudar desenvolvido por parte dos alunos. Neste sentido, poderíamos dizer que o processo de ensino e aprendizagem pressupõe uma mediação entre alguém que sabe mais e alguém que sabe menos, sobre algum conteúdo teórico ou prático, e que o ato de estudar compreende a responsabilização pela aquisição de conhecimentos por parte do aprendiz, que se encarrega de adquirir o máximo de conhecimentos possível de acordo com os recursos que lhe são disponibilizados.

Mas e quanto ao desenvolvimento saudável desse hábito de estudar? Será que ele surge espontaneamente por parte dos estudantes, ou são incutidos externamente pelos pais, professores e demais responsáveis por sua educação? Será que é possível haver alguma mediação que favoreça o desenvolvimento deste processo?

É sabido que embora a quantidade nem sempre corresponda à qualidade almejada, o ser humano tende a aprender com mais facilidade aquilo que lhe é apresentado de maneira repetitiva. O hábito faz o monge, como bem sabe a nossa sabedoria popular. A repetição e a autodisciplina, portanto, são indispensáveis para a promoção de uma educação que almeje não apenas o sucesso acadêmico individual, mas também o aprimoramento de seres humanos ativos, críticos e responsáveis por conceber uma sociedade mais produtiva e justa para todos.

Ocorre que mesmo a autodisciplina é algo que pode ser aprendido através da mediação entre pessoas, sendo esta uma responsabilidade tão social quanto individual. Exemplificando, a criança que aprende desde pequena a escovar os dentes todos os dias, como um hábito saudável de higiene bucal, tende a ser um adolescente e um adulto com hábitos frequentes de higiene bucal. E é bem provável que ela tenha aprendido o hábito de escovar os dentes com outra pessoa, seja através de observação curiosa ou do recebimento de instruções formais sobre o ato de escovar os dentes. Conforme esta criança for amadurecendo, a responsabilização pelo hábito de escovar os dentes vai se tornando a cada dia mais uma responsabilidade exclusivamente sua, de modo que a tendência natural será que esta criança se torne um adulto responsável por sua própria higiene bucal.

O psicólogo russo Lev Vogotsky (1896-1934) chamou essa diferença entre aquilo que uma pessoa sabe fazer com a ajuda de outra pessoa e aquilo que ela tem potencial para aprender a fazer sozinha de “Zona de Desenvolvimento Proximal”. Basicamente, este conceito diz respeito às capacidades potenciais de cada ser humano cujos recursos uma vez mediados poderão ser aprendidos para serem utilizados posteriormente sem a necessidade de mediação de outras pessoas. Através da mediação de um adulto ou de outra criança, seja através da imitação ou do fornecimento de instruções formais, a criança poderá aprender a escovar os dentes em companhia desta outra pessoa que sabe realizar uma tarefa que ela ainda não aprendeu a realizar, de tal modo que a criança poderá futuramente aprender através da mediação e da repetição a realizar esta tarefa sozinha.

De certa maneira, uma das maiores metas dos profissionais responsáveis pela educação de modo geral deveria ser a que crianças e adolescentes tenham autonomia e aprendam a aprender cada vez mais sobre si mesmas e sobre a realidade na qual elas fazem parte. Aprender mais sobre o que é o hábito de estudar, portanto, seria uma etapa indispensável neste processo. Não apenas para o aluno concluir as etapas básicas do Ensino Fundamental e Médio, ou serem aprovadas em exames avaliativos – como os vestibulares – que avaliam o grau de aptidão dos interessados no ingresso de cursos superiores da sua preferência. Aprender mais sobre o hábito de estudar exigiria que os estudantes aprendessem cada vez mais sobre a realidade na qual estão inseridos e sobre o próprio ato de estudar, de modo que a cada dia eles se responsabilizassem mais por desenvolver as suas próprias potencialidades e a transformar gradativamente a sociedade na qual estão inseridos.

A proposta de “orientação para os estudos” dos profissionais do Instituto do Ser é a de favorecer o autoconhecimento dos clientes e promover um hábito saudável para a aquisição de conhecimentos que sejam importantes para os estudos escolares e também para serem usados na vida cotidiana. Esses profissionais disponibilizam atendimentos individuais ou em grupos para estudantes, que vão desde a infância, passando pela preparação para o vestibular e também na preparação para a aprovação em concursos públicos, com o objetivo de desenvolver a autodisciplina de aprender a aprender, e também com o objetivo de desenvolver o hábito saudável de estudar com disciplina como condição sine qua non para alcançar seus sonhos individuais e coletivos de saúde, felicidade e autorrealização humana.

 

Gabriel Lopes Rosa Feigel é graduado em Psicologia pela UFSC, possui formação em Orientação Profissional pelo INSTITUTO DO SER – Orientação Profissional e de Carreira, de Florianópolis, e especialização em Psicologia Clínica pela UNIARA – Centro Universitário de Araraquara – SP. Desde 2013 atua como psicólogo escolar no Sistema de Ensino Energia, em Florianópolis, onde trabalha com jovens-adolescentes em busca de aprovação no vestibular. E atende jovens e adultos em Orientação para a primeira profissional e planejamento de carreira no INSTITUTO DO SER – Orientação Profisional e de Carreira.

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